Crise entre Venezuela e Colômbia entra em agendas de ONU, OEA e Unasul

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Bogotá, 28 ago (EFE).- A crise entre Colômbia e Venezuela entrou na agenda internacional nesta sexta-feira com o pedido de "diálogo construtivo" pela ONU, o anúncio de uma reunião da Unasul e a espera sobre a decisão da OEA de convocar ou não uma reunião de chanceleres, depois que ambos os governos consultaram seus embaixadores.

Em meio à tensão e à crise humanitária pela deportação de mais de mil colombianos e o deslocamento de outros 4 mil, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) programou, a pedido da Colômbia, uma reunião para segunda-feira para decidir se se convocará um encontro de chanceleres para discutir o tema.

As declarações do líder do organismo, Luis Almagro, no entanto, foram discretas ao pedir que sejam "aprofundadas as relações bilaterais com o propósito de encontrar soluções a temas de dinâmicas fronteiriças", sem mencionar explicitamente esta crise.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e sua chanceler, María Ángela Holguín, também tinham pedido uma reunião de chanceleres da Unasul e o envio de missões desse bloco e da OEA à fronteira.

"Compartilho totalmente o pedido do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Acho que a crise aumentou a níveis que necessitam uma intervenção maior", disse à Agência Efe o representante da União de Nações Sul-americanas (Unasul), Ernesto Samper, horas antes de Holguín anunciar que a reunião de chanceleres do bloco para tratar o tema será realizada no dia 3 de setembro em Quito, no Equador.

A fronteira está fechada desde 19 de agosto na ponte Simón Bolívar, que liga Cúcuta (Colômbia) a San Antonio (Venezuela), por ordem do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como parte de uma campanha contra o contrabando e supostos paramilitares, que incluiu a declaração do estado de exceção em seis municípios e a deportação de mais de mil colombianos.

Maduro, que ampliou o decreto para outros quatro municípios nesta sexta-feira e afirmou estar disposto a se reunir com Santos, "onde ele quiser, quando quiser e como quiser", para buscar uma solução, disse que não reabrirá a passagem até que a Colômbia proíba a venda de produtos venezuelanos de contrabando.

Além disso, Maduro declarou hoje que irá propor à Unasul a criação de uma Comissão Sul-Americana da Verdade sobre a situação de "contrabando, tráfico de drogas e paramilitarismo" na fronteira.

"É a primeira vez que escuto que pessoas foram deportadas para que não haja contrabando. As medidas de contrabando têm origem econômica e é preciso tratá-las como tal", comentou Rodolfo Nin Novoa, chanceler do Uruguai, país que ocupa a presidência rotativa da Unasul.

Por causa da situação, e depois que a ONU expressou preocupação com informações "sobre violações de direitos humanos ocorridas no processo de deportação de colombianos", o secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, pediu hoje que os dois governos mantenham um "diálogo construtivo".

Já a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) exigiu que a Venezuela pare de maneira imediata "qualquer expulsão coletiva, arbitrária ou sumária" de colombianos e "se abstenha de adotar qualquer medida que destrua" suas propriedades.

Santos solicitou hoje que ao governo venezuelano facilite a reunificação das famílias colombianas separadas pelo êxodo e insistiu que as pessoas que cruzam os atalhos com eletrodomésticos e camas "são colombianos humildes, e não paramilitares".

O prefeito da cidade colombiana fronteiriça de Cúcuta, Donamaris Ramírez Lobo, anunciou nesta sexta-feira que fará uma denúncia à CIDH contra Maduro por crimes de contra a humanidade.

Essa decisão se soma à do governante Partido de la U, de "processar" Maduro diante da mesma comissão, e à do opositor o Centro Democrático, liderado pelo ex-mandatário Álvaro Uribe, que solicitou "medidas cautelares" à CIDH para proteger os deportados.

Uribe também anunciou hoje o apoio a "todas as medidas enérgicas" que o governo empreender frente à crise, "sem importar o que ocorra com as Farc em Havana", onde o Executivo de Santos e a guerrilha fazem negociações de paz com a participação da Venezuela, na condição de acompanhante.

De Havana, as Farc pediram um "diálogo construtivo" e insistiram que "Venezuela é e continuará sendo fundamental para a paz na Colômbia".

Na Venezuela, dezenas de chavistas se manifestaram desde cedo em diferentes pontos da capital em apoio ao fechamento da fronteira e ao decreto do estado de exceção.

O vice-presidente Jorge Arreaza afirmou nesta sexta-feira que a Colômbia é a "irmã mais complicada" que existe no continente, ou talvez no mundo, e o líder do parlamento venezuelano, Diosdado Cabello, indicou que a posição do país vizinho é "imoral".

Em 2010, os dois países viveram outra crise, quando o então presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações com a Colômbia após denúncias da presença de guerrilheiros em seu país apresentadas pelo governo colombiano, liderado por Uribe. Mas, após a chegada de Santos ao poder, os dois governos normalizaram as relações e selaram diversos acordos.

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